Longe de ser uma análise alarmista, a constatação que antigos pontos da região, antes abandonados, começam a ser percebidos pelos empreendedores, é importante pela questão urbanística e de crescimento dos bairros. Quem nunca passou por um determinado pedaço do seu bairro ao qual não passava há algum tempo e não notou uma nova construção que levante a mão. Poucos moradores da zona leste e que lêem este espaço fizeram isso com certeza. Hoje, quem anda pelo seu bairro percebe com muita frequência uma antiga fábrica, casas antes abandonadas, terrenos antigamente baldios, campinhos perdidos, aquele mercadinho antes decadente em reforma e outros sinais. O mercado imobiliário local percebeu que a zona leste é emergente e pode, sim, ter novos e bons empreendimentos. Esses antigos espaços “perdidos” são “descobertos” e mudam a cara dos bairros. Enfim, como diz o título, transfigura a zona leste. Isso é percebido em todos os bairros da região. Não é, absolutamente, uma questão de aproveitamento desordenado. Muito pelo contrário, isso foi incentivado, estudado e tem resultados altamente benéficos para essas localidades. Além da questão de reaproveitar áreas degradadas e abandonadas, cria novos ambientes urbanos, novas moradias e novos núcleos residenciais. Isso beneficia os moradores antigos, os novos, o comércio local e todo o arrabalde desses espaços. Senão vejamos. Os antigos galpões abandonados da Mooca, espaços que não eram aproveitados e que começavam a ser vistos de maneira negativa – inclusive aumentando a insegurança. Hoje, muitos estão sendo demolidos para a construção de modernos condomínios. No Tatuapé, Vila Formosa, Vila Carrão, Penha e Itaquera acontece o mesmo fenômeno. Moradores antigos que deixaram de passar por um determinado pedaço do seu bairro, quando se dão conta, percebem um novo ambiente. É claro que saudosistas vão criticar, mas é inegável que essas mudanças trazem benefícios. Um crescimento e progresso à região, novos moradores, nichos e possibilidades infinitas. Alguns desses bairros vêm passando por transformações, fazendo com que empresas mudem para perto desses novos empreendimentos. Muitos desses moradores, em razão das facilidades e das possibilidades, procuram ter suas empresas nos bairros redescobertos. Assim, criam vagas de trabalho que são preenchidas pelos seus “vizinhos”. Enfim, criam um círculo virtuoso altamente benéfico para a cidade.
A Prefeitura de São Paulo e a Liga das Escolas de Samba estão em tratativas para a criação de uma Cidade do Samba na cidade. Nos moldes da que existe no Rio de Janeiro, o complexo sediaria os galpões, quadras e espaços de lazer das agremiações. As escolas gostariam que a Cidade do Samba paulistana fosse construída na Mooca. O tema ainda está em discussão, mas são inegáveis os benefícios que isso traria. Um fluxo de turistas de lazer e negócios para uma região que não tem, hoje, esse público. Mais uma forma de se valorizar a zona leste.
A valorização imobiliária em São Paulo é realmente supreendente e chega onde jamais imaginaríamos. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo aponta que os cemitérios da Capital têm um metro quadrado tão ou mais caro que o de casas e apartamentos em seus bairros. Dos nove cemitérios pesquisados, dois estão na zona leste. O jazigo no Cemitério da Quarta Parada (público), na Água Rasa, custa cerca de R$ 3.173 o m2, enquanto o m2 de imóveis vizinhos é R$ 2.672. No Cemitério do Carmo, em Itaquera, um jazigo custa em torno de R$ 3.700 o m2. Já nos imóveis da região, fica em média R$ 2 mil, de acordo com a Empresa Brasileira de Patrimônio (Embraesp). Em contrapartida, de acordo com o Serviço Funerário da Prefeitura de São Paulo, na Vila Formosa só é cobrada uma taxa de R$ 59 pelo sepultamento.