Ermelino Matarazzo começou a se desenvolver por volta de 1926, com a chegada da ferrovia e com a construção da estação ferroviária Comendador Ermelino Matarazzo, na época correspondente ao desenvolvimento industrial de São Paulo. Tanto que as indústrias Matarazzo e Cisper instalaram suas fábricas no bairro. De lá para cá muito coisa mudou na região. Hoje, Ermelino Matarazzo é um dos locais que mais crescem na zona leste. Além de ser um dos bairros que mais têm lançamentos imobiliários, com maior ênfase às unidades destinadas às classes média e baixa (principalmente em razão do programa Minha Casa, Minha Vida), é uma excelente opção para quem gosta de investir no mercado imobiliário. O distrito totaliza uma área de 8,70 km² e integra, em seu território, a Macrozona de Proteção Ambiental e a Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana. Possui duas estações de trem (USP Leste e Comendador Ermelino), abriga o Parque Ecológico do Tietê e um campus da Universidade de São Paulo. Há estudos para que também receba uma unidade da Universidade Federal de São Paulo. A chegada da universidade é comemorada pelos moradores. Com ela, vieram empreendimentos comerciais e de infraestrutura que mudaram o bairro. Não bastasse isso, faz divisa com o município de Guarulhos, uma das principais cidades da Grande São Paulo, o que o deixa muito próximo do Aeroporto Internacional de Cumbica. O mercado imobiliário está atento a todo esse movimento. As empresas de comercialização e locação de imóveis, de uns anos para cá, perceberam a mudança do perfil dos moradores do bairro e se mexeram para atender essa nova demanda. É claro que Ermelino Matarazzo ainda é um bairro carente, principalmente de empregos (97% da população não trabalham no distrito). É muito se levado em consideração que ali vivem 200 mil habitantes. Mas as mudanças pelas quais o bairro passa e o total de lançamentos mostram que o setor encontrou a forma de crescer, descobrindo como atuar e conhecendo, sobremaneira, o bairro e sua região.
Segundo a pesquisa mensal de locação residencial divulgada pelo Secovi-SP (sindicato da habitação), os contratos novos de aluguel em São Paulo subiram 11,6% em um ano, até maio, mais que o dobro da inflação registrada no mesmo período (5,22%). Os imóveis de dois e três quartos foram os que ficaram mais caros. No mês anterior, eles tiveram alta de 0,5% e 0,7% respectivamente, enquanto os apartamentos de um dormitório ficaram com os preços estáveis. Conforme o levantamento, para imóveis de um dormitório, as unidades mais baratas estão localizadas na zona leste B, que compreende Artur Alvim, Brás e São Miguel Paulista.
Pode um centro comercial localizado em uam bairro de classe baixa ser um fenômeno de público e vendas? Pode, se foi o Shopping Metrô Itaquera. Localizado em uma região que possui uma das populações mais carentes da cidade, o Shopping Metrô Itaquera se tornou, em dois anos e sete meses de funcionamento, um fenômeno de público. De janeiro a maio de 2010, as vendas cresceram 34% em relação ao mesmo período do ano passado. Para efeito de comparação, a média de crescimento dos outros empreendimentos como Interlagos e Eldorado, com um público de lehor poder aquisitivo, foi de 14%. O potencial de público é grande. Em razão da integração ônibus, Metrô e trem, cerca de 75 mil pessoas circulam diariamente pelo complexo itermodal. Além disso, cerca de 12 mil pessoal passam pelo Poupatempo. O shopping atende uma região habitada por mais de 2 milhões de pessoas, além de moradores de cidades próximas, como Poá e Mogi da Cruzes. Dos clientes do shopping, 77% pertencem às classes C e D. A região tem crescido muito nos últimos anos, mas ainda tem carência muito grande de lazer, entretenimento e comércio. Essa pode ser uma das explicações para o sucesso. Mas a zona leste sempre foi muito bem em relação ao comércio, basta lembrar o Centro Comercial Aricanduva, formado pelos shoppings Aricanduva, Interlar Aricanduva e Auto Shopping Aricanduva, o maior centro comercial da América Latina. Outros sinônimos de sucesso na zona leste: Shopping Metrô Tatuapé, Shopping Metrô Boulevard Tatuapé, Central Plaza Shopping, Shopping Center Penha e Shopping Anália Franco.
Descobrindo a zona leste – O primeiro guia da zona leste
A zona leste acaba de ganhar o primeiro guia de cultura, turismo, lazer e gastronomia com foco específico na região. A iniciativa é da Associação Cultural Beato José Anchieta, com patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura. O Guia Cultural e Turístico da Zona Leste de São Paulo tem mais de 200 dicas, entre monumentos, igrejas, espaços culturais, parques, cinemas, bibliotecas, festas típicas, bares e restaurantes. Esses locais foram visitados por oito pesquisadores nos últimos três meses e meio. A seleção resultou em um catálogo com 65 páginas que terá distribuição gratuita em escolas, centros culturais e subprefeituras, entre outros locais. São informações de 13 bairros: Aricanduva, Brás, Cidade Tiradentes, Ermelino Matarazzo, Guaianases, Itaim Paulista, Itaquera, Mooca, Penha, São Mateus, São Miguel, Tatuapé e Vila Prudente. Cada bairro ganhou um capítulo, com mapas de localização, informações sobre transporte público, história e curiosidades.
Quem foi criança nas décadas de 70 e 80 não se esquece de uma tradição dos finais de semana: as ruas de lazer. Eram espaços reservados em ruas de movimento – geralmente as mais centrais – que eram fechadas para as mais diversas atividades e brincadeiras. Muitos anos antes dos chamados recreadores e dependendo da boa vontade de alguns moradores mais velhos, as crianças tinham lugar e tempo para jogar futebol, queimada, andar de bicicleta, se reunir para conversar, enfim, viver a infância. Lembremos que os tempos eram outros. Havia menos trânsito, menos prédios (aliás, em alguns bairros, isso nem existia), mas esses espaços ficavam cheios e, de certa forma, se valorizavam, pois quem tinha filhos (e todas as famílias decidiam ter filhos logo) procurava morar perto desses locais. O tempo passou, os espaços urbanos foram mudando, a segurança pediu um replanejamento das ocupações, assim, as ruas de lazer foram ficando no passado. As antigas áreas nas ruas foram substituídas pelos playgrounds dos prédios e a liberdade que as crianças tinham naquele tempo foi substituída pelo medo. Mas um novo movimento começa a aparecer em alguns bairros menos centrais, como Cangaíba, Itaquera, São Mateus, São Miguel Paulista e Itaim Paulista, entre outros. É uma espécie de ressurgimento das antigas ruas de lazer. Alguns poucos moradores, da mesma forma que os seus pais quando estes eram crianças, fecham ruas para as crianças se reunirem. Se antes o poder público instituía as ruas que seriam destinadas ao lazer, indicando, inclusive, com placas, hoje os moradores fecham as vias com cavaletes, carros etc. Um exemplo interessante acontece em Itaquera. Segundo matéria publicada no Jornal da Tarde do dia 8 de junho, o consultor Francisco Carlos da Silva, um ex-atleta profissional, frustrado com a falta de opções esportivas para as crianças do bairro, se reuniu com alguns moradores, de posse de tinta, tábuas e pincéis, criou uma pista de corrida de 200 metros na rua em que mora. Nesse espaço, ele treina as crianças três vezes por semana. É claro que essa é uma atitude isolada – como a dos moradores que fecham as ruas para suas crianças – e fruto da falta de opções de lazer e esporte nas grandes cidades. Se isso, como no passado, terá reflexo no mercado imobiliário é uma questão que eles nem pensam. Mas que o poder público e a iniciativa privada (entenda-se construtores e incorporadores) deveriam criar espaços de lazer é um ponto a se pensar em futuros projetos. Quem sabe as antigas ruas de lazer renasçam mais modernas, com mais opções e toda segurança que havia no passado. Isso seria trazer a antiga cara da zona leste de volta.
A Câmara Municipal começou a analisar o projeto de lei que mudará o Plano Diretor da cidade. Entre as muitas propostas, o Legislativo analisará os incentivos para quem construir ao longo das linhas de trem. Esse mecanismo evitaria o deslocamento da população para áreas mais distantes do Centro, pois criaria empregos nos bairros, próximos de onde as pessoas moram. O Portal ZL Imóvel acompanha esse movimento desde que começou a sua área de notícias, em 2007, e torce para que os projetos realmente saiam do papel. Isso valorizaria a região, seus moradores e seus imóveis. Bairros como a Mooca e Itaquera – próximos a linhas férreas – serão revitalizados caso o Plano Diretor seja aprovado nos moldes em que está escrito e desde que as próximas administrações mantenham o que for votado. Ganharão, principalmente, as classes mais baixas, pois essas áreas seriam destinadas às habitações de interesse social. Vamos acompanhar todo esse movimento.
Lembram de um comercial antigo em que perguntavam por que o biscoito Tostines era fresquinho? Era fresquinho porque vendia mais, vendia mais porque era fesquinho. Dessa forma pode ser visto o boom imobiliário que tem mudado a cara do Tatuapé. A região cresceu, ganhou nova infraestrutura, grandes lojas, supermercados e empreendimentos de médio e alto padrão, o que transformou o bairro em uma das regiões mais valorizadas da cidade. De acordo com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), ele é considerado uma “zona de valor A”, o que o coloca no mesmo nível de Moema, Higienópolis e Jardim América. Mas, segundo seus antigos moradores, esse crescimento ocorreu de forma de desordenada. Há excesso de obras, trânsito, barulho e a substituição das antigas vendinhas por megastores. Essa infraestrutura só aconteceu depois que novos moradores, principalmente os de classe tidas como emergentes, descobriram o bairro e começaram a comprar imóveis por aqui. Ou seja, há os que gostam e os que odeiam. Isso também é reflexo de um progresso crescente. Cabe ao mercado formal atender bem esses dois públicos.
Descobrindo a zona leste – Bairros Paulistanos de A a Z
O livro não é novo, foi lançado em 2001, mas é uma leitura sempre atual e agradável. Bairros Paulistanos de A a Z, de Levino Ponciano (Editora Senac), é uma surpresa em cada página. Dividido por bairros, a obra traz histórias e curiosidades de alguns dos principais bairros. Na apresentação da edição que chegou a nossas mãos (a primeira), o editor resume o que é a obra: “um pequeno dicionário histórico e amoroso dos bairros”. Quem tiver curiosidade e oportunidade, procure o livro nas livrarias, sites e sebos, pois é uma leitura gostosa e fácil. Neste espaço tomaremos a liberdade de contar alguns dos fatos da zona leste, sempre creditando a fonte.