A zona leste, sem a menor sombra de dúvidas, é a região que mais tem se valorizado nos últimos anos na cidade de São Paulo. É inegável que bairros como a Mooca, Tatuapé, Vila Prudente, Penha, Vila Formosa e Vila Carrão – para citar só os mais centrais – têm sido um dos principais filões do mercado imobiliário paulistano. É inegável, também, a valorização dos imóveis nessas localidades. Terrenos, antes escassos, começam a ter seus preços elevados. Com isso, um apartamento que antes era bem acessível aos mais jovens, começa a se transformar em sonho distante. Ainda não é alarmante, mas a situação tende a crescer e as dificuldades vão a reboque. De uns tempos para cá, empresas do setor que atuam em São Paulo, mas que têm contato com imobiliárias localizadas no ABCD (São André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema), além de Osasco e Guarulhos, observam um movimento crescente de procura por unidades nessas cidades vizinhas. Alguns perfis de compradores se destacam: são solteiros, recém-casados ou famílias jovens com crianças pequenas. Eles procuram preço, facilidades e qualidade de vida que já não encontram na Capital (ou pelo menos com preços como os de lá). Alguns dizem que conseguem, além do imóvel em si, valores como ruas mais tranquilas, trânsito menos pesado e prédios com piscinas e quadras esportivas a preços acessíveis que em São Paulo. O movimento ainda é pequeno e, segundo representantes do mercado local, não chega a ser uma tendência. Mas se levarmos em conta o que já ocorreu no passado, o êxodo para as cidades vizinhas pode ser um reflexo importante da falta de opções mais interessantes por aqui.
A Penha e o futuro dos pequenos centros comerciais
O mercado residencial da zona leste tem crescido de maneira consistente nos últimos anos, mas o mesmo não se pode dizer do segmento comercial. Muito tem sido construído, principalmente no Tatuapé, mas a região, decididamente, não tem um perfil comercial. Conforme análises do mercado, a região é propícia para instalação de pequenos centros comerciais. De acordo com avaliação da incorporadora GR Properties – focada em capturar e desenvolver boas oportunidades de investimento no mercado imobiliário –, bairros como Aricanduva, Itaquera e Penha têm grande potencial para esse tipo de negócio, pois as pessoas, cada vez mais, vão querer trabalhar e consumir nos bairros onde moram. A empresa, que começou a concentrar esforços em empreendimentos desse tipo neste ano, deve iniciar uma obra na Penha em julho do ano que vem. Nos próximos três anos, a GR Properties planeja investir cerca de R$ 180 milhões em edifícios comerciais de bairro, com salas de 30 metros quadrados a 40 metros quadrados.
A Prefeitura de São Paulo tem visto o futuro da zona leste com bons olhos. Recentemente o prefeito Gilberto Kassab anunciou que a região tem projetos para a construção de faculdades, fórum e rodoviária. Em julho, o mandatário muncipal assinou decreto autorizando a desapropriação de um terreno de 175 mil metros quadrados para a construção do campus da Unifesp na zona leste. Isso, sem dúvida, dá a largada em um polo de desenvolvimento na região dos bairros de São Miguel Paulista, Itaquera e São Mateus. E não é só isso. Entre os equipamentos urbanos previstos no projeto, estão um fórum de Justiça, uma nova rodoviária (alternativa aos terminais do Tietê e da Barra Funda), um campus da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), uma unidade da Fatec (Faculdade de Tecnologia), uma do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e uma da Escola Técnica do Centro Paula Souza.
Mercado imobiliário - Venda de imóveis novos recua
A região metropolitana de São Paulo registrou queda de 46,3% na venda de imóveis residenciais novos em maio diante dos resultados obtidos e, abril. De acordo com levantamento do Secovi-SP, foram comercializadas 4.149 unidades. Em maio, a capital foi responsável por 47% do total vendido na região metropolitana. O indicador Vendas sobre Oferta (VSO), que mede a relação entre o total de unidades vendidas e a oferta de imóveis novos no mês, desacelerou de 26,2% em abril para 15,7% em maio. De acordo com a entidade, a performance seguiu a tendência da capital paulista, onde o VSO recuou de 25,3% em abril para 16,7% em maio e as vendas de imóveis novos caíram 39,8% no mês, totalizando 1.949 unidades. O segmento de dois quartos liderou as vendas em maio. Já o volume de unidades residenciais lançadas em maio atingiu 4.592 moradias. No acumulado de janeiro a maio, a situação é inversa: foram lançadas 23.381 unidades e vendidas 28.674.
Longe de ser uma análise alarmista, a constatação que antigos pontos da região, antes abandonados, começam a ser percebidos pelos empreendedores, é importante pela questão urbanística e de crescimento dos bairros. Quem nunca passou por um determinado pedaço do seu bairro ao qual não passava há algum tempo e não notou uma nova construção que levante a mão. Poucos moradores da zona leste e que lêem este espaço fizeram isso com certeza. Hoje, quem anda pelo seu bairro percebe com muita frequência uma antiga fábrica, casas antes abandonadas, terrenos antigamente baldios, campinhos perdidos, aquele mercadinho antes decadente em reforma e outros sinais. O mercado imobiliário local percebeu que a zona leste é emergente e pode, sim, ter novos e bons empreendimentos. Esses antigos espaços “perdidos” são “descobertos” e mudam a cara dos bairros. Enfim, como diz o título, transfigura a zona leste. Isso é percebido em todos os bairros da região. Não é, absolutamente, uma questão de aproveitamento desordenado. Muito pelo contrário, isso foi incentivado, estudado e tem resultados altamente benéficos para essas localidades. Além da questão de reaproveitar áreas degradadas e abandonadas, cria novos ambientes urbanos, novas moradias e novos núcleos residenciais. Isso beneficia os moradores antigos, os novos, o comércio local e todo o arrabalde desses espaços. Senão vejamos. Os antigos galpões abandonados da Mooca, espaços que não eram aproveitados e que começavam a ser vistos de maneira negativa – inclusive aumentando a insegurança. Hoje, muitos estão sendo demolidos para a construção de modernos condomínios. No Tatuapé, Vila Formosa, Vila Carrão, Penha e Itaquera acontece o mesmo fenômeno. Moradores antigos que deixaram de passar por um determinado pedaço do seu bairro, quando se dão conta, percebem um novo ambiente. É claro que saudosistas vão criticar, mas é inegável que essas mudanças trazem benefícios. Um crescimento e progresso à região, novos moradores, nichos e possibilidades infinitas. Alguns desses bairros vêm passando por transformações, fazendo com que empresas mudem para perto desses novos empreendimentos. Muitos desses moradores, em razão das facilidades e das possibilidades, procuram ter suas empresas nos bairros redescobertos. Assim, criam vagas de trabalho que são preenchidas pelos seus “vizinhos”. Enfim, criam um círculo virtuoso altamente benéfico para a cidade.
A Prefeitura de São Paulo e a Liga das Escolas de Samba estão em tratativas para a criação de uma Cidade do Samba na cidade. Nos moldes da que existe no Rio de Janeiro, o complexo sediaria os galpões, quadras e espaços de lazer das agremiações. As escolas gostariam que a Cidade do Samba paulistana fosse construída na Mooca. O tema ainda está em discussão, mas são inegáveis os benefícios que isso traria. Um fluxo de turistas de lazer e negócios para uma região que não tem, hoje, esse público. Mais uma forma de se valorizar a zona leste.
A valorização imobiliária em São Paulo é realmente supreendente e chega onde jamais imaginaríamos. Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo aponta que os cemitérios da Capital têm um metro quadrado tão ou mais caro que o de casas e apartamentos em seus bairros. Dos nove cemitérios pesquisados, dois estão na zona leste. O jazigo no Cemitério da Quarta Parada (público), na Água Rasa, custa cerca de R$ 3.173 o m2, enquanto o m2 de imóveis vizinhos é R$ 2.672. No Cemitério do Carmo, em Itaquera, um jazigo custa em torno de R$ 3.700 o m2. Já nos imóveis da região, fica em média R$ 2 mil, de acordo com a Empresa Brasileira de Patrimônio (Embraesp). Em contrapartida, de acordo com o Serviço Funerário da Prefeitura de São Paulo, na Vila Formosa só é cobrada uma taxa de R$ 59 pelo sepultamento.
Mercado imobiliário - Tirar inquilino de imóvel está mais fácil
A partir desta edição reservaremos este espaço para falar do mercado em geral, não somente da zona leste. O objetivo é dar informações importantes para quem compra, vende e aluga um imóvel. Dessa forma, o Portal ZL Imóvel presta um serviço a todos os seus leitores. Nossos levantamentos de audiência apontam que esta seção informativa é vista por internautas que buscam informações gerais. Não será um espaço fixo e poderá ser dividido com curiosidades da zona leste e matérias mais de mercado. Como sempre, será uma seção aberta a sugestões. Quem quiser colaborar com sugestões podem enviá-las para o e-mail notícias@zlimovel.com.br. Boa leitura! É possível tirar mais rápido um inquilino do imóvel A nova Lei do Inquilinato, que está prestes a completar seis meses, trouxe algumas inovações muito interessantes para o mercado. Uma delas, muito celebrada por proprietários e imobiliárias, foi a maior facilidade de se despejar um inquilino inadimplente. Ainda longe dos 15 dias estipulados pela legislação, as ações de despejo, atualmente, duram de seis a oito meses. Um avanço perto dos 12 a 14 meses que levavam antes. As alterações na Lei do Inquilinato, em vigor desde 25 de janeiro de 2010, preveem que o inquilino inadimplente possa ser despejado em até 15 dias caso o contrato de aluguel seja feito sem qualquer garantia, como a existência de fiador. Mas para que a ação de despejo seja executada é necessário que a Justiça dê a ordem de despejo, emita um mandado e designe um oficial de Justiça para cumpri-lo – e é aí que está a questão. Os trâmites do processo é que costumam ser mais demorados. Além da redução do prazo de despejos, a nova lei provocou ainda alguns efeitos colaterais positivos, como a redução do número de ações por falta de pagamento. Ou seja, a nova legislação tem provocado mais acordos. Um poder que os locadores não tinham tão claros antes. Diante do perigo de serem despejados com mais facilidade, os locatários estariam mais preocupados em pagar as contas em dia. Além disso, outro dado colabora para a redução das ações: o aumento do preço das locações. Ou seja, para não perder o imóvel atual e ter de pagar mais por uma nova locação, os inquilinos têm se esforçado para pagar o valor da locação em dia, não sair de onde está.